Festa di San Valentino: por que o Dia dos Namorados na Itália é em fevereiro?
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No Brasil, o Dia dos Namorados é celebrado em 12 de junho. A data foi consolidada nos anos 1940 por iniciativa comercial ligada ao período que antecede o dia de Santo Antônio.
Já na Itália — e em grande parte da Europa — a celebração ocorre em 14 de fevereiro. A diferença não é apenas de calendário: ela revela camadas históricas, religiosas e culturais que ajudam a compreender a sociedade italiana e a própria evolução da língua.
Quando o amor entra na história

A associação entre 14 de fevereiro e o amor surge progressivamente na Europa medieval. Textos atribuídos a Geoffrey Chaucer mencionam o período como momento simbólico de escolha amorosa dos pássaros. A partir daí, a data passa a ganhar contornos sentimentais, sobretudo nas cortes aristocráticas.
Séculos depois, a tradição se consolida como celebração dos enamorados. Cartões, poemas e pequenos presentes tornam-se comuns. A cultura literária também reforça essa associação. Não por acaso, cidades italianas como Verona, ligada à narrativa de Giulietta Capuleti, personagem da tragédia de William Shakespeare, exploram simbolicamente a data em eventos culturais e turísticos.
O que acontece na Itália em 14 de fevereiro?
Diferentemente do Brasil, onde o Dia dos Namorados está associado a grandes campanhas publicitárias de junho, o San Valentino italiano ocorre em pleno inverno. Restaurantes oferecem menus especiais; confeitarias exibem chocolates artesanais; vitrines destacam objetos com a palavra amore.
Mas há nuances interessantes: na Itália contemporânea, a data não se limita exclusivamente a casais. Cresce o hábito de celebrar também a amizade ou de trocar mensagens simbólicas. Algumas cidades promovem feiras temáticas e iniciativas culturais que unem tradição religiosa e consumo moderno.
O que o San Valentino ensina sobre a língua italiana

Para quem estuda italiano, a data é um campo fértil de observação linguística.
A diferença entre “Ti amo” e “Ti voglio bene” é um exemplo significativo.
A primeira expressão é usada em contextos amorosos e passionais; a segunda, mais ampla, pode ser dirigida a familiares e amigos. Essa distinção não existe com a mesma clareza em português, o que evidencia como a língua organiza as relações afetivas de maneira específica.
Outras palavras frequentes nesse período incluem:
innamorato / innamorata
fidanzato / fidanzata
regalo
biglietto
cuore
moroso/ morasa
A observação dessas escolhas lexicais revela como cultura e idioma caminham juntos. Não se trata apenas de traduzir palavras, mas de compreender os contextos sociais que lhes dão sentido.

Mas quem foi, afinal, San Valentino?
San Valentino teria sido bispo de Terni, Umbria, no século III, período marcado por instabilidade política e perseguições aos cristãos no Império Romano. Durante o governo do imperador Claudio II, a prática do cristianismo enfrentava restrições, e líderes religiosos eram frequentemente presos.
Segundo a tradição, Valentino teria sido detido por celebrar casamentos cristãos e por prestar auxílio espiritual a fiéis perseguidos. Condenado à morte, foi executado por volta de 269 d.C. Seu culto se espalhou gradualmente, e Terni passou a venerá-lo como padroeiro.
Séculos depois, a memória do mártir foi reinterpretada. O nome permaneceu; o significado se transformou. A figura do bispo executado em um contexto de perseguição religiosa passou a ser associada ao amor romântico medieval, depois ao amor cortês e, finalmente, à celebração moderna dos namorados.
Antes de se tornar símbolo de vitrines decoradas e declarações apaixonadas, San Valentino foi parte de um momento histórico marcado por tensões religiosas e mudanças sociais profundas — um detalhe que ajuda a compreender como tradições se constroem, se adaptam e atravessam o tempo.
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