Talian: a língua italiana preservada pelos imigrantes Italianos no Brasil
- 21 de mai.
- 2 min de leitura

Muitos descendentes de italianos no sul do Brasil cresceram ouvindo seus avós dizerem frases em italiano, ou em Talian!
O Talian nasceu dos dialetos do norte da Itália trazidos pelos imigrantes, principalmente do Vêneto, a partir do final do século XIX. Ao contrário da ideia de que seria apenas uma “mistura” dos dialetos italianos, o Talian mantém até hoje uma forte estrutura linguística italiana.
Italiano ou Talian?
Quando os primeiros italianos chegaram ao Brasil, especialmente após 1875, a Itália ainda era um país linguisticamente fragmentado.

Embora a unificação italiana tivesse ocorrido em 1861, grande parte da população rural não utilizava o italiano no cotidiano. O mais comum era falar os dialetos regionais. Entre os imigrantes que vieram para o Brasil predominavam cidadãos do vêneto, do trentino, da lombardia e do friulano.
O grupo linguístico vêneto teve papel central na formação do Talian, razão pela qual muitos estudiosos consideram o vêneto sua principal base estrutural.
Nas colônias italianas do sul do Brasil, esses diferentes falares passaram a conviver diariamente. Aos poucos, formou-se uma variedade linguística comum entre os imigrantes e seus descendentes. O Talian surgiu desse encontro entre dialetos italianos.
O reconhecimento oficial do Talian

Em 2014, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN, reconheceu oficialmente o Talian como Referência Cultural Brasileira, incorporando-o ao Inventário Nacional da Diversidade Linguística. (portal.iphan.gov.br)
Esse reconhecimento representou um marco importante porque consolidou institucionalmente a ideia de que o Talian faz parte do patrimônio linguístico brasileiro.
O próprio IPHAN define o Talian como: “uma língua brasileira de imigração originária principalmente do grupo linguístico vêneto”. (portal.iphan.gov.br)
Além do reconhecimento nacional, alguns municípios brasileiros adotaram o Talian como língua cooficial e mantêm até hoje fortes marcas da cultura linguística italiana da imigração. Entre eles estão: Serafina Corrêa, Garibaldi, Antônio Prado, Caxias do Sul, Nova Veneza, Nova Erechim e Bento Gonçalves. Estas cidades possuem iniciativas culturais específicas ligadas à preservação da língua e em muitas famílias, o Talian continua funcionando como um elo emocional com os antepassados italianos

Atualmente existem grupos de teatro em Talian, programas de rádio, festivais culturais, publicações, materiais didáticos, projetos universitários de documentação linguística e até cursos que ensinam o Talian e o Dialeto Vêneto, pois estudar o Talian significa não só se aproximar da Itália, mas também das pequenas cidades, das famílias rurais do Vêneto e da língua cotidiana falada pelos imigrantes que atravessaram o Atlântico no final do século XIX.
Mais do que uma lembrança do passado, o Talian continua sendo uma das formas mais vivas de preservação da cultura italiana nas comunidades descendentes de imigrantes.
E você? Já ouviu alguém falando Talian? Na sua família existem palavras “em dialeto” que passaram de geração em geração? Você já visitou alguma cidade de imigração italiana como Bento Gonçalves, Antônio Prado ou Nova Veneza? Ou talvez nem soubesse que existia uma língua italiana preservada no Brasil?
Conte nos comentários suas experiências, memórias ou curiosidades sobre o Talian e a imigração italiana!
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